22/08/2026 - "O Retorno " e "O Outro" - Uberto Pasolini e Jorge Luis Borges
- Confraria das Lagartixas

- 5 de ago.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 2 dias
Confraria das Lagartixas promove Encontro de Cinema, Literatura e Arte.
Parceria A Casa Frida

Filme | O Retorno
De Uberto Pasolini
Após vinte anos de ausência, Odisseu retorna a Ítaca marcado pela guerra e pelas perdas. Disfarçado de mendigo, encontra um reino à beira do colapso, uma esposa cercada por pretendentes e um filho que cresceu sem sua presença. Em uma releitura intimista da Odisseia, Uberto Pasolini transforma o épico de Homero numa reflexão sobre o tempo, a identidade e a difícil tarefa de voltar para casa quando já não se é o mesmo homem que partiu.
TRAILER:

Mais do que narrar uma vingança, a história investiga o que acontece quando alguém finalmente chega ao destino que desejou por tantos anos e descobre que o tempo transformou tudo — inclusive a si mesmo.

Com interpretações contidas de Ralph Fiennes e Juliette Binoche, O Retorno troca o heroísmo épico por um olhar profundamente humano sobre o envelhecimento, a memória, o amor e a difícil tarefa de reencontrar o próprio lugar no mundo.

Entre o homem que parte e o homem que retorna, existe o tempo. E o tempo nunca devolve alguém intacto.
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Contos | O Outro
De Jorge Luis Borges
De O Livro de Areia
Um homem idoso encontra, por acaso, um jovem sentado à beira de um rio. Durante a conversa, ambos descobrem algo extraordinário: são a mesma pessoa, em momentos diferentes da vida. Entre lembranças compartilhadas e percepções divergentes, Borges constrói um conto que questiona a identidade, a memória e a passagem do tempo, sugerindo que a maior distância entre duas pessoas pode ser aquela que o tempo cria dentro de um mesmo indivíduo.

Os dois conversam, mas há algo perturbador: embora sejam a mesma pessoa, não conseguem verdadeiramente reconhecer-se um no outro.

Compartilham lembranças, nomes, livros e acontecimentos íntimos, mas o tempo criou tamanha distância entre eles que parecem dois desconhecidos.

Borges transforma um encontro fantástico numa reflexão sobre identidade, memória e passagem do tempo: se mudamos profundamente ao longo da vida, em que sentido continuamos sendo a mesma pessoa?
Borges e Pasolini investigam, cada um à sua maneira, o que permanece de nós com o passar dos anos. O tempo surge como distância, memória e reencontro.
Esperamos por você.
Quando?
22/08/2026
Roda de conversa: das 16h às 18h
Onde?
Na sua casa através do aplicativo Zoom (Play Store) (Apple Store)
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Para participar, é importante cadastrar o seu melhor e-mail em nosso site.
O link de acesso à sala ZOOM será enviado às 08h no dia do evento, além das atualizações das próximas rodas de conversa e cirandas de leitura.
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Participação Especial:
Apoio:



As duas obras me fizeram pensar no retorno não como uma volta ao que fomos, mas como o encontro com aquilo que o tempo transformou.
Em O Outro, Borges encontra a si mesmo em outra idade e percebe que somos, ao mesmo tempo, continuidade e ruptura: reconhecemos quem fomos, mas já não somos aquela pessoa. Em O Retorno, Odisseu também volta para aquilo que deixou, mas encontra uma Ítaca e pessoas transformadas pela passagem do tempo, e ele próprio já não é o mesmo que partiu.
Talvez a grande questão que aproxima as duas obras seja justamente esta: é possível voltar, mas não é possível voltar a ser. O tempo permite reencontros, mas nunca devolve exatamente o passado. E talvez seja…
Com que Borges estamos conversando?
BORGES, Jorge Luis y Ferrari, Osvaldo. (1985). En diálogo I. Buenos Aires: Editorial Sudamericana.
Prólogo
“Uns quinhentos anos antes da era cristã, deu-se na Magna Grécia a melhor coisa que registra a história universal: a descoberta do diálogo. A fé, a certeza, os dogmas, os anátemas, as preces, as proibições, as ordens, os tabus, as tiranias, as guerras e as glórias oprimiam o mundo; alguns gregos contraíram, nunca saberemos como, o singular costume de conversar. Duvidaram, persuadiram, dissentiram, mudaram de opinião, adiaram. Talvez sua mitologia os ajudou, que era, como o Shinto, um conjunto de fábulas imprecisas e de cosmogonias variáveis. Essas dispersas conjecturas foram a primeira raiz do que hoje, não sem…