top of page

22/06/2024 - "Longe Dela" e "O Urso Atravessou a Montanha" - Sarah Polley e Alice Munro.

Confraria das Lagartixas promove Encontro de Cinema, Literatura e Arte.


Filme |  Longe Dela

De Sarah Polley


Conto | O Urso Atravessou a Montanha

De Alice Munro

Do livro Ódio, Amizade, Amor, Casamento


Munro descreve a vida de um casal que se une por razões diversas (ela achava que seria divertido, ele, por sua vez, considerava que ela tinha o brilho da vida e que seria impossível ficar longe), mas que enfrenta a trajetória com união e sabedoria. Quando Fiona descobre que está com Alzheimer, resolve se internar em uma clínica.


A partir dessa decisão, o marido começa a refletir sobre a forma de conduzir a sua vida e ela, por sua vez, completamente alheia à sua existência, passa a estabelecer novos vínculos.


Alice e Polley, (uma com o dom da escrita e outra com o poder de adaptar e transformar em imagens uma obra excepcional), nos trazem uma belíssima história de amor e perda.









TRAILER:





Quando as ideias somem, é como se desaparecesse a pessoa


O que fazer frente ao inevitável desgaste do corpo e das lembranças? Para onde ir?


O amor resiste ao tempo?



 

Para Alice Munro


Texto publicado no Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.


Carla Belintani faz uma linda homenagem à Alice Munro, a escritora canadense recém falecida aos 92 anos. Confiram:


Nobel de Literatura em 2013


 “Nós dizemos de certas coisas que elas não podem ser perdoadas, ou que nunca vamos nos perdoar. Mas perdoamos – perdoamos o tempo todo.”


O perdão, perdoar e ser perdoado são temas recorrentes na escrita de Alice Munro. Não como um ato de conformismo, mas integrador dos aspectos mais sombrios e íntimos que habitam as relações humanas. Este conceito está em sintonia com Freud, quando disse “poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons”.


Se Freud buscava, feito um arqueólogo, a verdade sobre a natureza humana, Munro escancara essas verdades “vergonhosas” como culpa, traição e abandono, mas sinaliza sempre a possibilidade de redenção.


Suas histórias revelam desejos inconfessáveis que, muitas vezes, são velados. E seus livros, todos de contos, relatam o cotidiano com uma escrita cortante e afiada.


“Eu gosto de escrever de uma maneira que talvez assuste as pessoas”, relata Munro.


Assim como a psicanálise nos faz refletir sobre as ações que não temos controle, os contos de Munro causam no leitor um certo suspense, próprio do movimento da vida, marcado por tensões e reviravoltas na jornada dos personagens.


Alguns contos de Munro já foram adaptados para o cinema.


Para escrever o roteiro do filme “Julieta”, Almodóvar se inspirou nos últimos três contos do livro “A fugitiva”. Aqui, o tema da feminilidade e a devastação da relação entre mãe e filha são o ponto central da narrativa.


Sarah Polley se inspirou no conto “O Urso Atravessou a Montanha” para o roteiro do filme “Longe dela”.


Nessa história, Munro traz o tema do envelhecimento, da memória e da finitude. A personagem principal sofre de demência e as lembranças com o marido vão se apagando. “Eu estou indo, mas ainda não fui”, diz a protagonista Fiona para o marido.


O quadro demencial é multifatorial, mas pesquisas sobre o tema - sob a ótica da psicanálise - apontam para a problemática do luto. Pessoas que desenvolveram esse quadro passaram por alguma perda cujo trabalho de luto não foi elaborado.


Aqui há a premissa de uma traição que nunca foi discutida pelo casal quando o marido era professor e acabara se envolvendo com uma aluna.


Munro nos deixa esse mistério: seria a traição um luto impossível de ser elaborado nesta história?


Enquanto isso, na vida pessoal, Munro estava com demência havia mais de dez anos. Nesse sentido, poderíamos tecer um fio condutor entre a personagem Fiona e a própria escritora?


Haveria alguma perda na vida de Munro em que o trabalho de luto não foi realizado?


Ela nos deixa mais perguntas que respostas, tanto sobre si mesma quanto sobre suas personagens. E, nesse sentido, nos ensina que nem tudo tem uma resposta. Há enigmas que continuarão em suspenso. E perdas impossíveis de serem recuperadas, mas que podem ser ressignificadas.


A única resposta segura é que seu legado continuará vivo para quem ousar adentrar em seu universo. Munro faleceu no dia 13 de maio, aos 92 anos, mas sua obra permanecerá imortal, preservando para sempre o legado dessa grande escritora que nos provoca a pensar sobre o impossível da vida.




Algumas obras da autora: “Vida Querida”, “O progresso do amor”, “Amiga de Juventude”, “Fugitiva” e “Ódio, Amizade, Namoro, Amor e Casamento”.


Roda de conversa sobre o conto “Noite” em outubro de 2017 com a A Casa Frida



Roda de conversa sobre o conto “O Sonho de Mamãe” em junho de 2019 na Livraria da Vila.


“Julieta” de Almodóvar


Cena do filme "Longe Dela” de Sarah Polley



 

Alice nos acompanha há tempos.


Seus personagens habitam nosso imaginário como se fossem pessoas íntimas, entrando e saindo de nossa morada.


Segredos, sonhos que não se realizam, histórias guardadas em velhos baús que preferimos não abrir.


Ela relata de forma crua o que preferimos manter na sombra.


Por isso ficará em nossas cabeceiras, em forma de livros, que abrimos junto com nossos porões.


 

Esperamos por você.


Quando?


22/06/24


Roda de conversa: das 16h às 18h


Onde?


Na sua casa através do aplicativo Zoom (Play Store) (Apple Store)


---


Para participar, é importante cadastrar o seu melhor e-mail em nosso site.


O link de acesso à sala ZOOM será enviado às 08h no dia do evento, além das atualizações das próximas rodas de conversa e cirandas de leitura.


---


Participação Especial:


Apoio:



1.000 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page