13/12/25 - "Dias Perfeitos" e "O Degenerado" - Wim Wenders e Somerset Maugham
- Confraria das Lagartixas

- 1 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 14 de dez. de 2025
Confraria das Lagartixas promove Encontro de Cinema, Literatura e Arte.
Parceria A Casa Frida

Filme | Dias Perfeitos
De Wim Wenders
Um zelador de banheiros públicos em Tóquio, leva uma vida simples e metódica, encontrando alegria em sua paixão por música, livros e fotografias. Sua rotina é ocasionalmente perturbada por encontros inesperados que começam a revelar um passado que ele deixou para trás.
TRAILER:

“Dias perfeitos é o mais próximo que já cheguei de fazer uma declaração sobre a paz”
Wim Wenders

“Para mim, uma das grandes condições da paz é estar satisfeito com o que se tem."
Wim Wenders

"Um dos grandes problemas da paz é que nossos países e economias são viciados em crescimento."
Wim Wenders

"O crescimento gera guerras. O crescimento gera desigualdade. O crescimento cria aqueles que não podem crescer, em oposição àqueles que sempre querem continuar a crescer."
Wim Wenders

"O crescimento é um enorme obstáculo à paz."
Wim Wenders

"Crescer mais só é possível às custas de outros que crescerão menos, e esse é o motivo da maioria das guerras."
Wim Wenders
"Hirayama é um verdadeiro pacificador. Ele é meu primeiro herói da paz de verdade..."
Wim Wenders
Wim Wenders relata como criou o personagem “Hirayama” do filme Perfect Days

"DIAS PERFEITOS
Por Lúcia Barros Freitas de Alvarenga
Hirayama nos pega pela mão e nos convida a coabitar com ele, a ler com ele o livro, sob a luminosidade diáfana, a conviver a simplicidade dos seus dias, a partir do despertar cotidiano da vassoura na calçada que varre a monotonia alheia e distraída. Um despertar delicadamente traçado pela rotina jamais quebrada, sequer pela surpresa aparente, mas que marca a presença do encantamento mágico na novidade lenta e suave da contemplação do enquadramento analógico que olha e contrasta com a fria tecnologia da pressa digital.
Hirayama nos leva à delicada imersão morna da espuma e da água do banho, quando apenas sorri em seu íntimo contentamento diante da sentença alheia: "Como pode se dedicar tanto a um trabalho assim?"
Cada olhar para cima transborda na umidade e sinaliza o frescor de um semblante transformador, quase infantil, de encantamento e êxtase. Cada silêncio transmite a eloquência do dizer nada, no vazio das palavras, suavemente capturado pelas imagens que ele fotografa em sua pequena câmera, a retratar internamente a si mesmo, a romper a turbulência e o barulho de fora.
Hirayama é, em sua essência, um convite à pausa, ao silêncio, ao cuidado com a miudeza das plantinhas, no espaço habitado, na abundância minimalista do essencial, tudo a nos distanciar do consumo material exagerado, do supérfluo e do desnecessário. Cúmplice e amigo das árvores, com elas e através delas, como um oráculo, Hirayama as ouve e compreende o mundo, os seres viventes, seus silêncios e seus contrastes, e se demora na empatia da exclusão solidária e solitária do andarilho.
Niko, a sobrinha que se deixa agasalhar pelo abraço das cálidas mantas do tio, que vê os 634 metros da torre "skytree", a confrontar o antigo e o novo da fita cassete e do spotify, do celular e da câmera fotográfica, do digital e do analógico, que busca identidade e pertencimento no livro "Eleven", (Patrícia Highsmith, 1970), em cujo conto "The Terrapin" (o cágado), como um espelho, se encontra e se vê compreendida no menino Victor. E a quem o introspectivo Hirayama confidencia sua percepção de mundo: "O mundo é formado por muitos mundos. Alguns estão conectados. Outros não". E do estar no mundo: "Da próxima vez é da próxima vez. Agora é agora". Nesse filosofar espontâneo e instintivo, há um esboço e uma lembrança do "ser aí" em Heidegger.
Hirayama é um estado de contentamento, o "aqui e agora" quando se encanta com o "Kamorebi", cuja palavra japonesa designa o jogo de luzes e sombras que se produz quando as folhas das árvores balançam ao vento. Isso só acontece uma vez, naquele exato momento.
Hirayama é pura presença e profundidade ontológica de entrega quando, em estado meditativo, cotidianamente faz o seu trabalho, quando come o sanduíche no almoço, quando ouve a canção no carro ou a melodia enamorada do bar, quando abraça a irmã, quando chora a ausência e a dor, quando brinca de pega-pega com as sombras e percebe a insignificância das coisas:
"Será que as sombras ficam mais escuras quando se sobrepõem? Vamos descobrir agora. Tem tantas coisas que ainda não sei. É assim que a Vida acaba. Nada muda, afinal. Pura bobagem".
O varrer lá fora, então, é o novo despertar, a nova aurora, um novo dia, uma nova Vida:
"A libélula ao sol, você sabe o que quero dizer, não é? As borboletas se divertindo. Dormir em paz quando o dia acabar. E esse velho mundo é um novo mundo. É um mundo ousado para mim. E eu me sinto bem".
No final, um rosto iluminado pela luz natural que tece a angústia do existir, a profundidade, a tristeza, a dor, mas também a abundância, a esperança e a paz de simplesmente ser.
E, na condição de partícipe da vida de Hirayama, essa profusão de sentimento me remete a Guimarães Rosa, que, em "Grande Sertão: Veredas", assim descreve a Beleza: "Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo".
E Facundo Cabral: "No estás deprimido, estás distraído".
E Rubem Alves: "Tudo o que vive é a pulsação do sagrado. As aves do céu, os lírios dos campos... O mais insignificante grilo, no seu cricri rítmico, é uma música do grande mistério. É preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida."
O conturbado mundo atual necessita filmes como DIAS PERFEITOS, O FILHO DE MIL HOMENS e SONHOS DE TREM em cujas realidades, embora diferentes em roteiro e conteúdo e criados em distintas épocas , se percebe uma coincidência, uma sincronicidade e um forte entrelaçamento e conexão: Esses filmes unem e revelam todas as coisas aparentemente ocultas porque contêm silêncios, poesia, beleza, presença, delicadeza, contemplação, empatia, pertencimento, encantamento, êxtase, liberdade, paz. São essas as palavras que norteiam a temática comum desses filmes poética, ontológica e filosoficamente humanistas."
Domingo, tarde, 07/12/25.

Conto | O Degenerado
De Somerset Maugham
Do livro Histórias dos Mares do Sul
Um homem viaja a uma ilha tropical para tentar trazer de volta um amigo que abandonou a vida na metrópole e escolheu viver de forma simples, contrariando as normas opressivas em que vivia.
Maugham e Wenders fogem do convencional e nos apresentam uma nova perspectiva de vida, onde a contemplação e o silêncio imperam.
Esperamos por você.
Quando?
13/12/2025
Roda de conversa: das 16h às 18h
Onde?
Na sua casa através do aplicativo Zoom (Play Store) (Apple Store)
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Para participar, é importante cadastrar o seu melhor e-mail em nosso site.
O link de acesso à sala ZOOM será enviado às 08h no dia do evento, além das atualizações das próximas rodas de conversa e cirandas de leitura.
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Participação Especial:
Apoio:



DIAS PERFEITOS
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Há alguns meses não recebo o material para participar das reuniões nem a data da próxima reunião. Para a próxima recebi pelo celular e gostaria de ter continuidade.